Quando eu crescer…

Quando eu era bem pequena, dizia para minha mãe que, quando eu crescesse, queria ser uma secretária eletrônica (sim, achava que existia uma menina dentro daquela máquina que, hoje, acho que já nem existe mais como objeto eletrônico).

Já mais “crescida”, várias foram as áreas de interesse: jornalismo, arquitetura, educação física. A última foi, inclusive, minha segunda opção no vestibular. Mas não foi esse o caminho seguido. Tenho que reconhecer que nossas origens, mesmo que indiretamente, podem influenciar nas nossas carreiras, sim. Quando criança meu tio sempre me levava junto às suas idas ao Fórum da Tristeza – ainda na época em que era naquelas casas antigas, com os gansos de sempre, os quais eu morria de medo – e me intitulava sua “secretária”. Eu, cheia de orgulho.

E então a notícia: aprovada no vestibular de inverno da PUCRS, ano de 2006. Na época, fazia cursinho pré-vestibular para a UFRGS. Odiei ter passado na Pontifícia. Iniciei o curso no segundo semestre de 2006. Ainda não sabia bem o que estava fazendo ali, tampouco o que seria da minha vida. Problemas pessoais a recém cicatrizavam.

O semestre passou, a idéia “UFRGS”, também, e logo já estava “introduzida” no mundo jurídico. Segundo semestre de faculdade e já trabalhava na área, como estagiária. Como deixaram uma menina sem nenhuma experiência na área – tampouco na vida – pra lidar com a vida de homens e mulheres condenados? Deixaram. E eu aprendi. Aprendi a lidar com processos, serventuários de cartório, partes, mas, principalmente, com vidas. Ali eu decidi que era aquilo o que queria ser: Defensora Pública!

O estágio acabou  e os anos na faculdade passaram… O interesse na área não cessou. A execução penal insistia em instigar minha curiosidade e me trouxe outro elemento que hoje já não consigo mais viver sem: a sociologia. O resultado disso? A união dos dois em um trabalho de conclusão de curso em que me senti quase realizada (claro, virginianos nunca se sentem plenamente satisfeitos!) e uma indicação à publicação.

 Fim. Formatura. Choro, riso, pessoas me abraçando, parabéns por todos os lados. Nervosismo. Mesmo passados mais de um mês da minha colação de grau, só de ver as fotos da cerimônia ainda sinto aquela mistura de ansiedade/nervosismo/emoção que foi aquele momento.

Junto com esse fim, o estágio. Esse cordão umbilical foi difícil de cortar. Anos de convivência, troca de experiências, conhecimento, amizades construídas. Mas… Como o contrato já prevê, tem um prazo máximo. É temporário.

 Sim, e agora? Março começou, mas minhas aulas não. Ah, tem o tão temido exame da OAB. Estudos, muitos estudos. Previsível, ninguém escondeu essa exigência.

Só que o meu “e agora?” é bem mais amplo que a mera “conquista” da carteira. O que fazer? O que seguir? Profissão: desempregada. A sensação que tenho, atualmente, é que aqueles sonhos eram abstratos demais para a dura realidade. Contas a pagar. Estudos geram gastos. E agora?

Não se esquecer de como somos. Nossa matriz. Nossos ideais. E, acima de tudo, não deixar qualquer frustração abalar o que realmente almejamos para nossas vidas. Anos difíceis virão. Cansativos, bem mais cansativos.

Mas todo o esforço valerá a pena. LUTAR é preciso!

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Um pensamento sobre “Quando eu crescer…

  1. nossa lu.. lindas as tuas palavras!! achei incrível o jeito q tu contou a tua história.. e, lógico, me identifico em diversos pontos.. sim, os próximos anos serão de luta, mas a recompensa q vai vir valerá a pena..e todo esse esforço e todo esse cansaço farão com q o gosto da vitória seja ainda mais saboroso!! sucesso negaa!!!

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