O velho e o Moço.

Outro dia, nessas minhas andanças pelo bairro, me questionaram se eu tinha 18 anos – na ocasião, eu estava em uma lotérica fazendo apostas para o meu tio – no que eu respondi: “na verdade, tenho 23 anos”.

Claro que devo extrair desse questionamento da atendente da lotérica como um elogio, do tipo, “23, mas com cara de 18 anos, ta bem, hein?”. Mas isso me fez ficar pensando… E a Luiza com 23 anos, é o quê? Certamente muitos poderiam imaginar que sinto falta de quando eu tinha, efetivamente, meus 18 anos. Mas lhes respondo negativamente.

Com 18 anos, nada na vida é certo. Nem o futuro, nem os sentimentos, pensamentos, opiniões. Tudo é muito emotivo, ou choramos muito, ou rimos muito, ou não sabemos o que fazer muito, ou nos revoltamos muito. E a demasia sempre me fez mal, mesmo quando não a sabia controlar.

Com o passar dos anos – falou a velha de 23 para 24 anos – e a entrada na faculdade, tudo se ajeitou. Meu futuro, de certa forma, tomou um rumo certo, meus sentimentos amadureceram (depois de duras penas, como todo mundo) e passei a enxergar o mundo com os meus olhos. Sim, a partir das minhas concepções de vida (poucas, confesso, mas melhor que nada) e comecei a distinguir, a partir da minha pequena grande vivência, o que eu queria para mim.

Obviamente meu conceito de “o que quero para minha vida” é pequeno e faltam muitas lacunas a serem preenchidas, lacunas estas que serão preenchidas, inevitavelmente, com o tempo. Dúvidas surgem a cada segundo da minha existência, mas a base, a estrutura que construí já está sólida e posso, independentemente, seguir minha estrada optando por esse ou aquele caminho.

Hoje, com quase 24 anos, posso dizer que me sinto muito melhor como pessoa. Acredito que minha maior aprendizagem nestes poucos anos foi a conhecer e a dar valor a cada detalhe apreciado, e a aprender novos amores.

Passei a reparar melhor no que está ao meu redor, observar mais o mundo, gravar na memória momentos que definitivamente não deverão ser esquecidos. Descobri que a vida não é apenas livros, e jurisprudência e mais livros: conheci mundos diferentes em que posso brincar, me distrair e, ao mesmo tempo, aprender coisas que não concernem a minha profissão.

Queria registrar isso: quem sabe o que direi sobre a Luiza aos 30 anos, por exemplo?

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