Guardado.

ImageIlustração: We Heart It

O ritual parece que nunca vai se acabar. Mesmo há tanto tempo distantes, preciso sempre saber de ti.  Fuço notícias nas redes sociais, qualquer coisa que me diga o que estás fazendo, se estás bem. Chego ao cúmulo, inclusive, de ter algum ciuminho se vejo alguma coisa. Não sei mais se tu ainda és aquele que um dia pude considerar meu melhor amigo. Faz tanto tempo… Lembro das nossas brincadeiras com os vizinhos da rua, das nossas confidências e do primeiro beijo. Um dia, há muito tempo atrás, eu sabia que podia contar contigo e vice versa. Hoje, já nem sei o que fazes no final de semana, o que te distrai, que música tu ouve. Não sei o quanto tu mudou e nem mesmo sei se eu mudei tanto a ponto de não termos mais nada em comum.

Te conhecer desde criança já é um trunfo que não me vale de nada. Não te cultivei por perto de mim. E não foi porque não quis; mas sim porque tu disse que não conseguia fazer “só isso”. Nossa atração cresceu junto com o nosso próprio crescimento e atualmente não há mais espaço para uma ingênua amizade.

Tu seguiste um caminho, e eu outro. Cada um de nós conheceu outras mil pessoas e se envolveu com algumas, parecidas ou não conosco. O tempo passou tanto que se te encontro na rua fico desconcertada e tímida, difícil te dar um oi. Difícil puxar papo. Que papo conversar?

Essa é uma dúvida que talvez eu nunca resolva… Se um dia aquilo, o que quer que seja, que tivemos um com o outro vai crescer… Como nós, hoje, adultos.

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