Guardado.

ImageIlustração: We Heart It

O ritual parece que nunca vai se acabar. Mesmo há tanto tempo distantes, preciso sempre saber de ti.  Fuço notícias nas redes sociais, qualquer coisa que me diga o que estás fazendo, se estás bem. Chego ao cúmulo, inclusive, de ter algum ciuminho se vejo alguma coisa. Não sei mais se tu ainda és aquele que um dia pude considerar meu melhor amigo. Faz tanto tempo… Lembro das nossas brincadeiras com os vizinhos da rua, das nossas confidências e do primeiro beijo. Um dia, há muito tempo atrás, eu sabia que podia contar contigo e vice versa. Hoje, já nem sei o que fazes no final de semana, o que te distrai, que música tu ouve. Não sei o quanto tu mudou e nem mesmo sei se eu mudei tanto a ponto de não termos mais nada em comum.

Te conhecer desde criança já é um trunfo que não me vale de nada. Não te cultivei por perto de mim. E não foi porque não quis; mas sim porque tu disse que não conseguia fazer “só isso”. Nossa atração cresceu junto com o nosso próprio crescimento e atualmente não há mais espaço para uma ingênua amizade.

Tu seguiste um caminho, e eu outro. Cada um de nós conheceu outras mil pessoas e se envolveu com algumas, parecidas ou não conosco. O tempo passou tanto que se te encontro na rua fico desconcertada e tímida, difícil te dar um oi. Difícil puxar papo. Que papo conversar?

Essa é uma dúvida que talvez eu nunca resolva… Se um dia aquilo, o que quer que seja, que tivemos um com o outro vai crescer… Como nós, hoje, adultos.

Pessimismo ou realismo?

Ilustração: We Heart It

Sempre que eu sei que algo bom talvez venha a acontecer na minha vida, que a mude de alguma forma, eu me preparo psicologicamente para o fato de que talvez não ocorra, ou que não ocorra da maneira como imaginei. Todos que já leram meus textos, sabem do meu virginianismo, e dentro desse meu “defeito” está o fato de criar expectativas demais. Se algo não acontece exatamente como imaginei, nos mínimos detalhes, eu me frustro. É sério e eu sei que isso é errado, um defeito. Então, estamos trabalhando nisso.

Justifico meu pessimismo um pouco exagerado, também, devido ao fato de que me empolgo demais com as coisas. Já cansei de me ferrar nessa vida criando ilusões doidas, expectativas infundadas sobre coisas que, ao final, não ocorreram ou terminaram. Sempre fui muito precipitada. Sabe “cantar vitória antes da hora”? Tipo assim. Isso, da mesma forma, é um defeito, mas esse eu to recuperada já (pelo menos eu acho que sim).

Só que partindo dessas duas premissas que avaliei acima, fico me questionando se não me tornei uma pessoa negativa demais. Poxa, não consigo ser algo natural? Não, ou 8 ou 80, Luiza. Ouvi dizer que o pensamento positivo faz as coisas acontecerem. Não consigo acreditar nessa frase, pelo menos não inteiramente. Eu acredito que o acontece nas nossas vidas é fruto de nossas escolhas, nossas batalhas, do que plantamos. Tudo. Pensar positivo pode até ajudar mas desculpa, não faz “brotar” nada. Mão na massa, isso sim muda o mundo.

Entretanto, mesmo eu tendo toda essa autoavaliação, sempre que algo está para vir na minha vida fico ansiosa, durmo mal (e quando durmo, sonho com a coisa), enfim. Meu pessimismo não me torna uma pessoa indiferente. Paradoxo? Talvez. Ou talvez minha ansiedade supere todos os meus outros defeitos e se sobressaia independente deles ou junto haha

Vou mentalizar aquela velha melodia de pagode: “deixa acontecer, naturalmente…”.

Compartilhamento do amor.

Em tempos de Facebook, Twitter, Tumblr, Instagram e, ainda, o falecido Orkut, o que mais se vê por aí é o compartilhamento do amor. Marcações, citações, declarações, sorrisos, manifestações de carinho, eu te amo pra cá, eu te amo pra lá.

E nessa onda eu me pergunto: quantos “eu te amo” você já publicou esse ano? Pra mesma pessoa? Será que o significado do amor foi alterado ou o amor, por si só, mudou de jeito?

Nada contra demonstrações públicas de afeto, pelo contrário. Tudo o que transborde o bem e transcenda felicidade, inclusive no mundo virtual, é válido. Só que eu não consigo acreditar (pessimista, talvez) que tudo, ou pelo menos 60% do que é considerado amor nas redes sociais seja real.

Não to dizendo que as pessoas não se gostam, que é fingimento. O que eu penso é que a necessidade de transparecer feliz é muito maior do que o amor propriamente dito. Tenho receio de pessoas que compartilham um mundo fantasia cheio de felicidade e cor, sendo que por detrás disso há tristeza ou só uma pessoa normal mesmo.

As redes sociais, em um geral, incitam a necessidade de um “bom perfil”: boa foto, boa pessoa, boas publicações, boa vida. Não? Raramente vejo pessoas despejando sensações ruins ou vomitando sentimentos que não lhe façam bem, publicamente. E isso me assusta muito.

Me assusta a falsa felicidade. Me assusta o falso “felizes para sempre”. Vamos viver a felicidade de verdade? Aquela em que nem toda a sexta-feira é celebrada e nem toda a segunda-feira é cinzenta. Sem as mesmas obviedades do cotidiano e com mais amor verdadeiro? Aquele que não precisa ser compartilhado com o mundo para ser real, aquele que um mero gesto, um mero símbolo já represente um mundo de recordações.

Vamos curtir, seguir e compartilhar a realidade? Que nem sempre sorrimos, mas sim sentimos vontade de mandar todo mundo a puta que o pariu? Aí sim, acreditarei no amor. Sem frufrus, sem enfeites e purpurinas. O amor do dia-a-dia.

Exagerices.

Ilustração: We Heart It

São tantas as preocupações, as coisas para se pensar, pra não se deixar pra amanhã, os sentimentos borbulhando a cabeça e o coração, que o corpo sente. Agora, além de ter de prestar atenção no que tenho que fazer, na minha vida e na dos outros (de certa forma) meu organismo ta fazendo brincadeirinhas comigo.

Dor de cabeça, dor de estômago, dor nas costas são os mais freqüentes. Pior que quando eu me sinto mal fisicamente, parece que o mundo vai acabar. Sabe o exagero típico masculino com dores e doenças? Pois então, tenho igual. Não consigo pensar em nada, na realidade, em nada bom, porque quando me sinto doente penso em todas as coisas ruins que aconteceram ou poderão vir a acontecer comigo. Dramática? Sim, mas fazer o que. Pelo menos tenho consciência disso.

Perco a tranqüilidade quando estou mal. Fico mais ansiosa que o de costume, não consigo me concentrar em outra coisa senão aquela dor específica me corroendo. Me sinto como uma criança de 05 anos querendo chupar um bico ficar num cantinho quieta e querendo colo. Ridículo.

Por essas e outras sensações tão “diferentes” que eu me pergunto se um dia conseguirei viver sozinha. Imagina eu, sozinha e doente? Eu morro. Ou talvez aprenda a viver. As poucas vezes em que tive a experiência da solidão e de estar doente foram horríveis. Coisa de cagona e infantil podem pensar.

Agora meu estômago borbulha e eu não consigo estudar. Fico agoniada com o movimento que sinto na barriga e não presto atenção no meu vade mecum. Parece que a dor não vai passar nunca. Exagerada.

Aniversário, dedicação e agradecimento.

Ilustração: We Heart It

Em um dia dessa semana que passou, ao acessar o blog, descobri no WordPress uma modalidade diferente de estatística que não tinha visto antes (por burrice, claro). Esses dados mostravam quantas visitas o blog teve e de quais países. Fiquei chocada! Nunca imaginei ter acessos em outros países, inclusive na Ásia, Europa e América Central! Claro, muitos acessos podem vir de brasileiros no exterior, mas igual, fiquei bem contente!

Daí, vendo esses dados me dei conta de que no dia 02 passado o blog completou 07 meses de existência! Nunca comemorei nada desse tipo aqui nem me ligava a datas, só percebi mesmo depois que vi essas informações do WordPress.

Nesses 07 meses, foram 83 posts publicados e um pouco mais de 4.900 visitas. Em que pese a minha ausência durante muitos momentos, seja para estudar, seja para resolver questões particulares, nada me faz melhor do que vir aqui e poder escrever o que eu sinto, o que me vem a cabeça. Além disso, de poder dividir com o mundo o que eu gosto e vejo.

Não posso classificar o Entre Pincéis e Botões como um blog que fala disso ou daquilo; ele nada mais é do que a Luiza se transformando a cada dia, seja na forma como amadurece, como vê o mundo ou como vive. Essa liberdade é que torna o blog um hobby pra mim, mesmo que eu não possa me dedicar a ele tanto quanto eu gostaria.

Assim, gostaria de registrar aqui o meu muito obrigada a cada visita, a cada minuto dando uma olhada nos meus posts, nos comentários. Isso tudo me engrandece e me deixa com a sensação de “trabalho” bem feito :)

Sintam-se à vontade para registrar aqui sobre tudo o que gostariam de ver no blog, a opinião de cada um que visita aqui é importante!

Beijos Beijos!

Crescimento e novas coisas interessantes

Ilustração: We Heart It

Depois de tantos desabafos relacionados aos problemas da “vida adulta”, lamentações, medos e angústias, uma hora eu tenho que enxergar o lado positivo disso tudo, não é? Meu virginianismo, em muitas vezes, dificulta esse tipo de análise, mas hoje refleti um pouco e resolvi registrar aqui antes de mudar de ideia (louca).

Quando eu era mais nova (não tão mais nova assim) nada “interessante” me interessava: preferia o rápido, o fácil, o superficial, o óbvio.  Talvez por imaturidade, por incapacidade de uma compreensão de mundo não tão  complexa como a que tenho hoje (nossa, falou A velha). Senti essa minha “futilidade” principalmente no início da faculdade e a minha dificuldade em ler os manuais, entender determinadas matérias.

Hoje, fico impressionada com a minha mudança pessoal. Sério, o negócio foi radical mesmo. Do meio da faculdade pra cá, passei a introduzir conteúdos que me engrandeceram como ser humano (e não foram livros que me deixaram assim), mas sim ter vivido. Simples assim. Nunca me imaginei dizendo que “só se aprende vivendo” ou “com a maturidade a pessoa muda…”.

Depois de formada, tenho uma facilidade muito maior em estudar aquelas matérias que na faculdade mal conseguia entender, sendo elas: direito constitucional, direito administrativo e direito civil. Ainda não posso concluir se a culpa é toda da imaturidade anterior ou se tem também uma pitada de vagabundagem. Talvez os dois. Entretanto, uma coisa ou outra não diminui a evolução atual.

Documentários, telejornais são mais interessantes. Globo News vive sintonizada e eu vivo prestando atenção. Ciências correlatas: psicologia, sociologia, filosofia: são tão legais e se completam tanto a mim quanto às minhas questões jurídicas!

Muito bom sentir os estudos fluírem, a opinião se consolidar… Pena que o amadurecimento dos sentimentos não segue esse ritmo tão crescente…

Amor?

Hoje, depois de ler uma dessas fofocas que postam no site do ClicRBS, em específico, a uma suposta “escapadinha” do noivo da Britney Spears, e fiquei pensando… Cara, eu devo ser muito muito atrasada.

Ou eu sou muito atrasada, ou as pessoas não têm mais o mínimo de bom senso na vida. Não falo apenas de “celebridades” (pessoas na mídia, ok), mas sim de pessoas em geral. Vejo falta de respeito, ignorância e banalização do amor há dar de sobra e o pior: todos agindo na maior normalidade do mundo.

Acredito que o individualismo seja um dos principais motivos que “desencadearam” essa cultura. O mais importante é o teu sucesso profissional, a tua ascensão financeira, a tua casa, o teu carro. Depois, vem o resto. E, nesse resto, entram: família, amigos, amores. Não estamos mais dispostos a abrir mão de coisas em favor de sentimentos, momentos e tempos. O quê? Abrir mão de coisas para a MINHA vida? O outro que se lixe, afinal, a lei da selva é assim.

Nunca consegui pensar/agir dessa forma. Tive um referencial familiar muito forte, em que conceitos como união, respeito, paciência e amor foram constantes. Me considero uma privilegiada nesse sentido frente a esse caos sentimental que se apresenta ao longo dos anos.

Espero que esse meu discurso não pareça retrógrado, porque justamente é o contrário: depois de tanta luta por igualdades de gênero, tanto nas relações de trabalho quanto nas próprias relações pessoais, não podemos chegar em pleno século 21 tal qual como selvagens. Não evoluímos para chegar a isso.

Vamos enxergar mais ao nosso redor? Não só com os olhos, mas também com o coração? Vamos nos sensibilizar, nos preocupar, nos atentar com o próximo? Dizer que o mundo precisa de mais amor é abstrato demais: o mundo precisa de mais seres humanos com amor. Capazes de dar e receber amor. De perdoar. De compreender. Quem não concorda que andamos completamente intolerantes e impacientes com tudo? Isso não decorre do individualismo? Pois bem.

As pessoas precisam de mais respeito, só isso. O resto vem em consequência.

 

***Adoro meus textos cheios de informação e sem nexo. Obrigada.