Manias.

Acordar, tomar café da manhã, tomar banho, se vestir, sair. Arrumar o quarto assim, arrumar a cama assado (ou não arrumar), (des)organização.

Incrível como a rotina mais básica da pessoa, que vai aprendendo desde pequenininho com os pais, muda com o tempo. O que era, em tese, o jeito “certo” de dar um jeito em si, em suas coisas e na vida é praticamente uma metamorfose constante.

Nosso amadurecimento está diretamente ligado à como lidamos com as questões do dia-a-dia, com as tristezas e as dificuldades. E, sim, tem tudo a ver com o resto da nossa organização. Nossas confusões internas se materializam em como lidamos com nossas meias, por exemplo.

Digo isso por ter refletido, esses dias, em como eu sou diferente de alguns familiares meus na forma de lidar com os problemas, de organizar meu dia, de priorizar. Sou uma pessoa muito ansiosa e acho que por isso me incomoda muito quando as coisas são atropeladas, decididas de última hora, afobadas, sabe? Preciso me organizar com antecedência pra tudo diante do curto tempo livre que tenho, então, quando surgem compromissos “do nada” eu fico muito de cara, mesmo.

Não consigo lidar com a minha vida me ignorando, quero dizer, deixando para segundo plano coisas para o meu bem-estar, seja uma ida ao salão, ou ao médico, ou meia hora de leitura. Não consigo priorizar os outros e não priorizar a mim mesma. Talvez isso soe um pouco como egoísmo, mas, no fim das contas, quem vai cuidar de mim? Se não for eu mesma, vou me afundar tão fundo que posso ser capaz de esquecer aquele momento que me deixa feliz.

Então, com o passar do tempo, pequenas divergências rotineiras tornam a convivência cada vez mais difícil já que não somos mais aquele projeto criado por quem nos ama tanto. Somos nós mesmos.

Crescimento e novas coisas interessantes

Ilustração: We Heart It

Depois de tantos desabafos relacionados aos problemas da “vida adulta”, lamentações, medos e angústias, uma hora eu tenho que enxergar o lado positivo disso tudo, não é? Meu virginianismo, em muitas vezes, dificulta esse tipo de análise, mas hoje refleti um pouco e resolvi registrar aqui antes de mudar de ideia (louca).

Quando eu era mais nova (não tão mais nova assim) nada “interessante” me interessava: preferia o rápido, o fácil, o superficial, o óbvio.  Talvez por imaturidade, por incapacidade de uma compreensão de mundo não tão  complexa como a que tenho hoje (nossa, falou A velha). Senti essa minha “futilidade” principalmente no início da faculdade e a minha dificuldade em ler os manuais, entender determinadas matérias.

Hoje, fico impressionada com a minha mudança pessoal. Sério, o negócio foi radical mesmo. Do meio da faculdade pra cá, passei a introduzir conteúdos que me engrandeceram como ser humano (e não foram livros que me deixaram assim), mas sim ter vivido. Simples assim. Nunca me imaginei dizendo que “só se aprende vivendo” ou “com a maturidade a pessoa muda…”.

Depois de formada, tenho uma facilidade muito maior em estudar aquelas matérias que na faculdade mal conseguia entender, sendo elas: direito constitucional, direito administrativo e direito civil. Ainda não posso concluir se a culpa é toda da imaturidade anterior ou se tem também uma pitada de vagabundagem. Talvez os dois. Entretanto, uma coisa ou outra não diminui a evolução atual.

Documentários, telejornais são mais interessantes. Globo News vive sintonizada e eu vivo prestando atenção. Ciências correlatas: psicologia, sociologia, filosofia: são tão legais e se completam tanto a mim quanto às minhas questões jurídicas!

Muito bom sentir os estudos fluírem, a opinião se consolidar… Pena que o amadurecimento dos sentimentos não segue esse ritmo tão crescente…

Mudanças

Reviravolta. Acho que essa palavra define perfeitamente meu status quo atualmente. Incrível como determinados acontecimentos, embora indiretamente – possam influenciar tanto na sua vida. Pelo menos no meu caso, influenciou.

Já escrevi aqui várias vezes sobre o quanto é difícil encararmos a vida real e a enfrentá-la de maneira adulta, com discernimento e, principalmente, coragem. Descrevi por algumas vezes os meus medos e minhas aflições frente ao que poderia enfrentar.

Então, algo mudou. Um fato aconteceu, fato este que mexeu com meus familiares e com a minha maneira de encarar as coisas. Antes, minha rotina estava bem simples: estudar, ir para a academia, ajudar com as coisas de casa. Agora, sou uma advogada.

Muito mais do que uma advogada, sou uma mulher, devidamente capacitada legalmente para tomar minhas próprias decisões e responder pelas conseqüências decorrentes delas. Ok, já sou maior de idade há alguns anos, mas até então não tive a necessidade de me posicionar/enfrentar algo decisivo a ponto de fazer jus ao ato imperioso de “decidir”.

Estarei eu pronta para isso?

Sim. As dúvidas anteriores já não mais existem dentro de mim, o que não quer dizer que o medo não persista. Aliás, duvido que o medo se afaste em algum instante de nossas vidas, na medida em que as situações aparecem ao longo do nosso amadurecimento e nas mais variadas formas e “graus de dificuldade”.

Posso reconhecer meu receio frente ao que irei enfrentar adiante, mas não posso deixar de reconhecer que estou pronta para isso. Me preparei emocional e profissionalmente, vivi situações similares que necessitaram da minha força, e aqui estou. Portanto, sou capaz. Só se aprende a voar voando, né?

Se necessário, enfrentarei pessoas para comprovar meu potencial. Enfrentarei meus medos em prol do juramento que fiz. E, acima de tudo, enfrentarei meus medos frente ao mundo aí fora, o qual fui protegida por tanto tempo e, agora, me deixaram sozinha para enfrentá-lo. Não estou sozinha por negligência familiar, mas por opção.

Espero que todos optem por isso, como eu. Boa sorte.