Inside.

Um estalo. Um clique. E, a partir disso, tudo passa a ser visto de uma maneira diferente. Talvez mais leve, sem deixar de ser realista. Encarar a realidade com positividade pode ser possível, e eu não sabia disso até então. 

Andava muito pra baixo, com problemas sem solução. Sem uma solução concreta, claro, mas possível de lidar. Só que eu não tava conseguindo. 

Aí bastou alguém falar uma frase “mágica” pra que eu me desse conta de que o mundo não estava acabando e que, se estivesse, bem ou mal eu devo estar pronta para isso. Chega de delegar o que eu devo fazer, o que eu devo escolher à terceiros. Não tenho mais idade pra isso.

Mudar de perspectiva melhora a vida toda da gente. Achar alternativas para a dor e para os percalços da vida nos torna pessoas mais fortes, mais maduras e até mais felizes. Não digo que a felicidade dependa unicamente de nós mesmos porque, muitas vezes, simplesmente não conseguimos enxergar. Às vezes, se precisa daquela mão estendida. Daquele conselho. Do amor.

E aqui estou, em pé, com a cabeça erguida, (tentando) enfrentar minhas dúvidas e minhas questões mal resolvidas com um mínimo de dignidade. Porque eu posso.

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Mais um dia.

Praticando o exercício do esquecimento. Passar o dia anterior sem qualquer notícia tua foi torturante. Mais difícil que isso é essa incerteza que impera entre nós, o pequeno liame entre o término e o tempo. Depois de anos te dando “bom dia” e trocando emails ao longo do trabalho, não saber se tu dormiu bem, se aquela chata do teu trabalho incomodou é muito estranho. E doído.

Tento racionalizar e partir da premissa de que não nasci grudada à ti, de que já sofri de amor outras vezes e que estou aqui, vivinha da silva. Só que né, se fosse fácil assim eu não estaria aqui escrevendo e não haveria milhões de livros que falam de amor. Sei que a dor é normal e passa, mas e enquanto isso? Não dá pra desligar o coração  da tomada por sei lá, uns 06 meses e “acordar” 100% e sem qualquer cicatriz?

Sou privilegiada por estar rodeada de tantas pessoas que me querem bem. É quando estamos na merda que vemos que até aqueles mais distantes se preocupam contigo, mesmo não havendo um contato diário. Todas as palavras ditas e os mais variados conselhos foram ouvidos e guardados.

As lágrimas secaram temporariamente já que a vida continua e eu não posso me deixar abalar. O silêncio me fez rever, repensar muitas atitudes minhas que concordo não terem sido adequadas. Não sou do tipo de mulher que me vitimizo frente a um acontecimento, e se houve uma ruptura algo aconteceu de ambas partes.

Como disse uma amiga minha: “virginianos e sua mania de sair batendo a porta e ir embora.” Pois é. Errei. Mas tu também errou, ok? Agora orgulhos à parte, a gente precisa conversar. Não jogo fora uma história por desacordos que possam ser resolvidos.

Não vou mais bater a porta na tua cara.

Guardado.

ImageIlustração: We Heart It

O ritual parece que nunca vai se acabar. Mesmo há tanto tempo distantes, preciso sempre saber de ti.  Fuço notícias nas redes sociais, qualquer coisa que me diga o que estás fazendo, se estás bem. Chego ao cúmulo, inclusive, de ter algum ciuminho se vejo alguma coisa. Não sei mais se tu ainda és aquele que um dia pude considerar meu melhor amigo. Faz tanto tempo… Lembro das nossas brincadeiras com os vizinhos da rua, das nossas confidências e do primeiro beijo. Um dia, há muito tempo atrás, eu sabia que podia contar contigo e vice versa. Hoje, já nem sei o que fazes no final de semana, o que te distrai, que música tu ouve. Não sei o quanto tu mudou e nem mesmo sei se eu mudei tanto a ponto de não termos mais nada em comum.

Te conhecer desde criança já é um trunfo que não me vale de nada. Não te cultivei por perto de mim. E não foi porque não quis; mas sim porque tu disse que não conseguia fazer “só isso”. Nossa atração cresceu junto com o nosso próprio crescimento e atualmente não há mais espaço para uma ingênua amizade.

Tu seguiste um caminho, e eu outro. Cada um de nós conheceu outras mil pessoas e se envolveu com algumas, parecidas ou não conosco. O tempo passou tanto que se te encontro na rua fico desconcertada e tímida, difícil te dar um oi. Difícil puxar papo. Que papo conversar?

Essa é uma dúvida que talvez eu nunca resolva… Se um dia aquilo, o que quer que seja, que tivemos um com o outro vai crescer… Como nós, hoje, adultos.

Compartilhamento do amor.

Em tempos de Facebook, Twitter, Tumblr, Instagram e, ainda, o falecido Orkut, o que mais se vê por aí é o compartilhamento do amor. Marcações, citações, declarações, sorrisos, manifestações de carinho, eu te amo pra cá, eu te amo pra lá.

E nessa onda eu me pergunto: quantos “eu te amo” você já publicou esse ano? Pra mesma pessoa? Será que o significado do amor foi alterado ou o amor, por si só, mudou de jeito?

Nada contra demonstrações públicas de afeto, pelo contrário. Tudo o que transborde o bem e transcenda felicidade, inclusive no mundo virtual, é válido. Só que eu não consigo acreditar (pessimista, talvez) que tudo, ou pelo menos 60% do que é considerado amor nas redes sociais seja real.

Não to dizendo que as pessoas não se gostam, que é fingimento. O que eu penso é que a necessidade de transparecer feliz é muito maior do que o amor propriamente dito. Tenho receio de pessoas que compartilham um mundo fantasia cheio de felicidade e cor, sendo que por detrás disso há tristeza ou só uma pessoa normal mesmo.

As redes sociais, em um geral, incitam a necessidade de um “bom perfil”: boa foto, boa pessoa, boas publicações, boa vida. Não? Raramente vejo pessoas despejando sensações ruins ou vomitando sentimentos que não lhe façam bem, publicamente. E isso me assusta muito.

Me assusta a falsa felicidade. Me assusta o falso “felizes para sempre”. Vamos viver a felicidade de verdade? Aquela em que nem toda a sexta-feira é celebrada e nem toda a segunda-feira é cinzenta. Sem as mesmas obviedades do cotidiano e com mais amor verdadeiro? Aquele que não precisa ser compartilhado com o mundo para ser real, aquele que um mero gesto, um mero símbolo já represente um mundo de recordações.

Vamos curtir, seguir e compartilhar a realidade? Que nem sempre sorrimos, mas sim sentimos vontade de mandar todo mundo a puta que o pariu? Aí sim, acreditarei no amor. Sem frufrus, sem enfeites e purpurinas. O amor do dia-a-dia.

Amor?

Hoje, depois de ler uma dessas fofocas que postam no site do ClicRBS, em específico, a uma suposta “escapadinha” do noivo da Britney Spears, e fiquei pensando… Cara, eu devo ser muito muito atrasada.

Ou eu sou muito atrasada, ou as pessoas não têm mais o mínimo de bom senso na vida. Não falo apenas de “celebridades” (pessoas na mídia, ok), mas sim de pessoas em geral. Vejo falta de respeito, ignorância e banalização do amor há dar de sobra e o pior: todos agindo na maior normalidade do mundo.

Acredito que o individualismo seja um dos principais motivos que “desencadearam” essa cultura. O mais importante é o teu sucesso profissional, a tua ascensão financeira, a tua casa, o teu carro. Depois, vem o resto. E, nesse resto, entram: família, amigos, amores. Não estamos mais dispostos a abrir mão de coisas em favor de sentimentos, momentos e tempos. O quê? Abrir mão de coisas para a MINHA vida? O outro que se lixe, afinal, a lei da selva é assim.

Nunca consegui pensar/agir dessa forma. Tive um referencial familiar muito forte, em que conceitos como união, respeito, paciência e amor foram constantes. Me considero uma privilegiada nesse sentido frente a esse caos sentimental que se apresenta ao longo dos anos.

Espero que esse meu discurso não pareça retrógrado, porque justamente é o contrário: depois de tanta luta por igualdades de gênero, tanto nas relações de trabalho quanto nas próprias relações pessoais, não podemos chegar em pleno século 21 tal qual como selvagens. Não evoluímos para chegar a isso.

Vamos enxergar mais ao nosso redor? Não só com os olhos, mas também com o coração? Vamos nos sensibilizar, nos preocupar, nos atentar com o próximo? Dizer que o mundo precisa de mais amor é abstrato demais: o mundo precisa de mais seres humanos com amor. Capazes de dar e receber amor. De perdoar. De compreender. Quem não concorda que andamos completamente intolerantes e impacientes com tudo? Isso não decorre do individualismo? Pois bem.

As pessoas precisam de mais respeito, só isso. O resto vem em consequência.

 

***Adoro meus textos cheios de informação e sem nexo. Obrigada.