Crescimento e novas coisas interessantes

Ilustração: We Heart It

Depois de tantos desabafos relacionados aos problemas da “vida adulta”, lamentações, medos e angústias, uma hora eu tenho que enxergar o lado positivo disso tudo, não é? Meu virginianismo, em muitas vezes, dificulta esse tipo de análise, mas hoje refleti um pouco e resolvi registrar aqui antes de mudar de ideia (louca).

Quando eu era mais nova (não tão mais nova assim) nada “interessante” me interessava: preferia o rápido, o fácil, o superficial, o óbvio.  Talvez por imaturidade, por incapacidade de uma compreensão de mundo não tão  complexa como a que tenho hoje (nossa, falou A velha). Senti essa minha “futilidade” principalmente no início da faculdade e a minha dificuldade em ler os manuais, entender determinadas matérias.

Hoje, fico impressionada com a minha mudança pessoal. Sério, o negócio foi radical mesmo. Do meio da faculdade pra cá, passei a introduzir conteúdos que me engrandeceram como ser humano (e não foram livros que me deixaram assim), mas sim ter vivido. Simples assim. Nunca me imaginei dizendo que “só se aprende vivendo” ou “com a maturidade a pessoa muda…”.

Depois de formada, tenho uma facilidade muito maior em estudar aquelas matérias que na faculdade mal conseguia entender, sendo elas: direito constitucional, direito administrativo e direito civil. Ainda não posso concluir se a culpa é toda da imaturidade anterior ou se tem também uma pitada de vagabundagem. Talvez os dois. Entretanto, uma coisa ou outra não diminui a evolução atual.

Documentários, telejornais são mais interessantes. Globo News vive sintonizada e eu vivo prestando atenção. Ciências correlatas: psicologia, sociologia, filosofia: são tão legais e se completam tanto a mim quanto às minhas questões jurídicas!

Muito bom sentir os estudos fluírem, a opinião se consolidar… Pena que o amadurecimento dos sentimentos não segue esse ritmo tão crescente…

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O velho e o Moço.

Outro dia, nessas minhas andanças pelo bairro, me questionaram se eu tinha 18 anos – na ocasião, eu estava em uma lotérica fazendo apostas para o meu tio – no que eu respondi: “na verdade, tenho 23 anos”.

Claro que devo extrair desse questionamento da atendente da lotérica como um elogio, do tipo, “23, mas com cara de 18 anos, ta bem, hein?”. Mas isso me fez ficar pensando… E a Luiza com 23 anos, é o quê? Certamente muitos poderiam imaginar que sinto falta de quando eu tinha, efetivamente, meus 18 anos. Mas lhes respondo negativamente.

Com 18 anos, nada na vida é certo. Nem o futuro, nem os sentimentos, pensamentos, opiniões. Tudo é muito emotivo, ou choramos muito, ou rimos muito, ou não sabemos o que fazer muito, ou nos revoltamos muito. E a demasia sempre me fez mal, mesmo quando não a sabia controlar.

Com o passar dos anos – falou a velha de 23 para 24 anos – e a entrada na faculdade, tudo se ajeitou. Meu futuro, de certa forma, tomou um rumo certo, meus sentimentos amadureceram (depois de duras penas, como todo mundo) e passei a enxergar o mundo com os meus olhos. Sim, a partir das minhas concepções de vida (poucas, confesso, mas melhor que nada) e comecei a distinguir, a partir da minha pequena grande vivência, o que eu queria para mim.

Obviamente meu conceito de “o que quero para minha vida” é pequeno e faltam muitas lacunas a serem preenchidas, lacunas estas que serão preenchidas, inevitavelmente, com o tempo. Dúvidas surgem a cada segundo da minha existência, mas a base, a estrutura que construí já está sólida e posso, independentemente, seguir minha estrada optando por esse ou aquele caminho.

Hoje, com quase 24 anos, posso dizer que me sinto muito melhor como pessoa. Acredito que minha maior aprendizagem nestes poucos anos foi a conhecer e a dar valor a cada detalhe apreciado, e a aprender novos amores.

Passei a reparar melhor no que está ao meu redor, observar mais o mundo, gravar na memória momentos que definitivamente não deverão ser esquecidos. Descobri que a vida não é apenas livros, e jurisprudência e mais livros: conheci mundos diferentes em que posso brincar, me distrair e, ao mesmo tempo, aprender coisas que não concernem a minha profissão.

Queria registrar isso: quem sabe o que direi sobre a Luiza aos 30 anos, por exemplo?